Unidade de Conservação pertencente ao Instituto Água e Terra fica em Piraquara e abriga a comunidade indígena das etnias Kaingangue e Guaraní-Nhandewa.

 

No Dia dos Povos Indígenas, comemorado nesta terça-feira, 19 de abril, o Instituto Água e Terra (IAT) destaca a parceria celebrada com a comunidade indígena das etnias Kaingangue e Guaraní-Nhandewa, que habita atualmente a Floresta Estadual Metropolitana, localizada em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.

Foi entregue ao Instituto Angelo Kretã um documento com a proposta de compartilhar a gestão do local. É a primeira vez que um acordo de cogestão de Unidade de Conservação (UC) é proposto com uma entidade da sociedade civil.

O acordo de cooperação técnica é previsto no artigo 30 da Lei Federal nº 9985/2000. O objetivo é promover o desenvolvimento de ações de preservação e educação ambiental. Os indígenas moram na Floresta Estadual Metropolitana desde o ano passado.

Em reconhecimento aos direitos da comunidade indígena, o IAT cedeu as dependências da UC (anfiteatro e receptivo) para que as pessoas possam viver com dignidade e acesso a itens básicos de higiene, como sanitários.

CONTRAPARTIDA – O secretário do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo (Sedest), Everton Souza, ressalta que como contrapartida, os moradores da Floresta Estadual Metropolitana contribuem com o reflorestamento e cuidado do local.

“Estamos ressaltando essa parceria, que é inédita, justamente pelo respeito que dedicamos à cultura indígena, que está diretamente relacionada com a floresta. Nossa proposta é tirar o melhor proveito possível do conhecimento, tradição e cultura dos indígenas”, destacou.

O acordo de cooperação prevê ações que possam ser desenvolvidas em conjunto, dentro da Política de Educação Ambiental e com base no Plano de Manejo da Floresta Estadual Metropolitana.

REFLORESTAMENTO – O IAT destinou 600 mudas de árvores nativas que foram plantadas pela comunidade que habita a UC. “Eles possuem a expertise e um conhecimento muito amplo de como plantar a muda a fim de que a árvore vingue, respeitando o tamanho da cova, a distância entre uma árvore e outra, entre outros fatores”, destacou o diretor de Políticas Ambientais da Sedest, Rafael Andreguetto.

As mudas destinadas são das espécies bracatinga-de-arapoti; cafezinho do mato; angico-branco; araucária; canafístula; canela-sassafrás; cedro-rosa; dedaleiro; jerivá; paineira; pau-cigarra, aleluia, caquera; e vacum.

“A parceria com o IAT é importante para o fortalecimento da nossa presença, reconhecimento do território indígena e do nosso modo de vida. Queremos poder fazer aqui o reflorestamento, a revitalização e cuidado da área”, afirmou Eloy Jacintho, representante da comunidade indígena.

INTERCÂMBIO – A permanência da comunidade no local atende também o estabelecido no Sistema Nacional de Unidade de Conservação (SNUC), em relação a abrigar populações tradicionais.

Esse intercâmbio irá beneficiar tanto a comunidade indígena, que terá um local para vivenciar de forma plena a sua cultura; a população em geral, que terá a possibilidade de conhecer in loco como é o modo de vida da população primeira do Paraná, e a Unidade de Conservação, que terá sua vegetação natural regenerada, além de ser um local de construção de educação ambiental.

HISTÓRICO – A Floresta Estadual Metropolitana é uma Unidade de Conservação de uso sustentável desde 1988, quando obteve o seu Plano de Manejo, e está próxima à área urbana, no limite com a ferrovia Curitiba-Paranaguá, cortada pela Rodovia Contorno Leste.

A história da área foi marcada pelo intenso extrativismo florestal. O local pertencia anteriormente à extinta Rede Ferroviária Federal, que a utilizava para plantio de eucalipto, cuja madeira abastecia as antigas locomotivas a vapor.

Juntamente com o apoio de moradia, o IAT está auxiliando a comunidade a reflorestar a UC com árvores nativas, em substituição à vegetação exótica plantada pela antiga concessionária que administrava a Ferrovia, aumentando, assim a cobertura de vegetação da Mata Atlântica no Paraná.